Tenho sede, uma absurda vontade de goles grandes de palavras "malditas" (...)

Homens que Dançam


Quem disse que homem não dança?! “É ruim da cabeça ou doente do pé”. Quem disse que homem só pode Muay Thai, se engana profundamente. Homem pode dançar, e duvido quem nunca tentou pelo menos uns passinhos de Elvis Presley nas festinhas do colégio?!


A dança nasceu associada às práticas mágicas do homem, com o desenvolvimento da civilização. O homem dançava pela sobrevivência, dançava para a natureza em busca de mais alimentos, água e também em forma de agradecimento. A dança era quase um instinto e esses acontecimentos eram registrados nas paredes de cavernas em forma de desenhos. Homens dançam, por que não?! Desde tempos remotos o homem dança. 

O número de homens que buscam por aulas de dança cresceu e as mulheres agradecem. Segundo elas, eles ficam mais atraentes, a paquera é melhor... A dança embala o homem, muda o humor, se tornam charmosos, verdadeiros galãs, como os de Hollywood! Além de mudar o convívio com as pessoas, eleva a autoestima. O homem que dança já é um diferencial. Dançar é bom e faz bem. Arrisque um passo para cá e outro para lá...Assim vai sentir que pode ir mais além, um pouco mais em sua vida. A grande maioria dos homens tem vergonha em dançar... Nós mulheres, nos perguntamos o por quê disto. Vergonha faz parte de todos nós, é o início, quando se deixa abrir para novas oportunidades, as coisas tem uma grandeza incrível, você irá notar rapidamente as mudanças de dentro para fora e não vai mais querer parar, e incrivelmente nos tornamos melhores, capazes e apaixonados pela vida. Quando o homem perceber que dançar é um transporte para um tempo diferente, não vai querer parar e não entenderá porque tanto tempo deixou passar. 

Segundo o Professor de dança Diogo Couto, “homens que dançam, passam de um simples provedor para um de qualidade, onde aprende a conhecer o corpo e alma de uma mulher, podendo transformar uma simples dança em um divisor de águas do ser, do sentir e do realizar”. Traquejo é o que faz parte dos homens. Numa balada, por exemplo, um homem não precisa de bebida para tomar coragem e chegar em uma mulher, basta chamá-la para dançar que tudo se encaixa perfeitamente. Todos os povos, em todas as épocas e lugares dançaram. 

Dançaram para expressar revolta ou amor, reverenciar ou afastar deuses, mostrar força ou arrependimento, rezar, conquistar, distrair, enfim, viver.” Você se torna um homem de atitude! Não precisam ser um Fred Astaire na pista, basta se sentir livre. Um homem que dança nunca está só, se torna livre para o mundo lá fora e também nos braços acalentados de uma mulher. “Dançar é uma necessidade interior, muito mais próxima do campo espiritual que do físico, foi o que motivou o homem a dançar utilizando-se do movimento como um veículo para a liberação de sua vida interior”. “ Dançar provavelmente não é seu objetivo ao ir a uma festa, mas aprender a dançar bem é uma excelente arma de sedução”. 

“Mas não precisa ser forte ou algo assim. Pode ser baixinho, gordinho e com pouco talento em artes marciais. Mas precisa passar segurança ao entrelaçar os dedos nas nossas mãos, como se ali gritasse que tudo vai dar certo”

A Dança e Eu


Falar algo de mim?! De algum episódio que marcou na minha vida ou simplesmente o que há de tão simples dentro de mim... Minhas vastas palavras são geradas em torno de outras pessoas, de sonhos repentinos na madrugada, sobre um assunto prolongado numa conversa na lanchonete, ou ideias que vem repetidas em minha mente. 

Oh! Somos o que somos ou apenas o que nos tornamos ao longo do tempo, dos meros instantes. Somos movidos e moldados em momentos únicos e eles se tornam lembranças, estas nós guardamos no baú das nossas delícias. O meu baú está trancado, com todas as incertezas e medos, rascunhos coloridos e muitas palavras de amor. Embora eu não saiba muito sobre o amor, mais eu o sinto constantemente. 

Procuramos um equilíbrio mental nesta vida, e após uma breve tempestade, ficamos a deriva... Uns priorizam uma viagem fora do país, outros se equilibram em doses de tequila e tem os que pintam quadros...Eu procurei dançar. Achando que uns passos para cá e para lá iriam mudar o rumo da minha vida, fortalecer meu lado físico, nutrir-me mentalmente. 

Me enganei. Foi muito mais que isso. Aparecem pessoas em nossas vidas, de repente nos vemos obrigados a sorrir, a fingir que está tudo bem, mais quando pisei a primeira vez na sala de dança, tive de ser verdadeira e meu sorriso saiu sem querer. A sala iluminada, a música que tocava soava mansa …. E fui adentrando naquela cena, feito tomada iniciada num set de TV. 

Conheci Diogo Couto, o professor de dança, um grande dançarino, uma pessoa carinhosamente verdadeira, único. Para ele não importao nosso status, cor de pele ou religião, ele tem um cuidado extraordinário com cada um de seus alunos e eu fui contemplada nesta estância, e me tornei parte desta família. Eu procurada equilíbrio e encontrei paz. Procurada um instante novo para meu baú e encontrei uma eternidade de coisas … Infinitas... E descobri que ser livre faz parte de mim. Somos conduzidos nos passos frenéticos de um lado para o outro, e se fecharmos os olhos, somos apenas um, indo em busca do mesmo objetivo. 

Assim é um par quando se dança! E agora já não sou mais ímpar, já não posso mais voltar, tenho de continuar nesta andança magnífica de bailados e ….

Mãos sobem, ponta dos pés... Panturrilha arde... E o prazer vem depois de tudo isto sentido, como se formássemos asas para lançar voo. Eu mudei. Dançar faz sentir a vida e que ela vale a pena. Me faz querer o dia segunte, e culpo Diogo por isto, sem estas sensações já não poderei ficar. E o que me sufocava já não lembro. Sinto que meu barco já não está a deriva, me sinto segura nele, em terra firme já não poderei atracar, o cais já não me pertence. 

Cada aula que vou, me renovo, colo um caco em mim, e tenho me sentido inteira e deliciosamente feliz. Algo que marcou pra mim? Muitas são as coisas que me cercam e que me talham, mais dançar realmente é minha tatuagem, e nem o tempo há de apagar. Diogo me acalentou no momento em que eu mais precisava e agora poderei seguir de uma maneira diferente, uma New Dance. Porque 

“...Me leva onde quero ir...”

RODEIO DE BRAGANÇA PAULISTA 2015


A história do rodeio no Brasil se iniciou na cidade de Barretos. No ano de 1955 a pecuária era a maior atividade econômica da cidade, onde estava instalado, desde 1913, o frigorífico Anglo, ao qual os “corredores boiadeiros”, como eram conhecidas as vias de transporte de gado entre os estados, se encontravam e para descontração e diversão montavam os bois e cavalos, desafiando uns aos outros suas habilidades. 
De um passatempo entre os peões das comitivas, começou a atrair pessoas interessadas em ver o “espetáculo”. Em 1947 na quermesse municipal, aconteceu o primeiro rodeio do país, realizado dentro de um cercado com arquibancadas, surge assim o que é conhecido o formato de rodeio. A 1ª Festa do Peão realizada no Brasil aconteceu sob uma velha lona de circo, e não poderia deixar de ser, a principal atração eram os peões que passavam meses viajando pelo Brasil a fora, agora eram estes as estrelas da festa. Na década de 60 havia vários eventos ligados ao rodeio no Brasil, principalmente no estado de São Paulo. 
Muitos dos peões que antes tocavam a boiada, agora eram competidores, participando de rodeios atrás dos prêmios. Bragança Paulista é um dos municípios do estado de São Paulo, faz parte das estâncias climáticas chamadas de Circuito das Águas e apresenta uma população de aproximadamente 158856 habitantes, segundo os números do IBGE em 2014. E em Abril foi comemorada a 50ª Expoagro-Festa de Peão de Boiaddeiro em Bragança Paulista-SP. A festa contou com diversas atrações nacionais como Luan Santana, Capital Inicial, Cristiano Araujo e Henrique E Juliano, Fernando e Sorocaba, Jorge e Matheus... Houve rodeios entre 09 e 12 de abril e no dia 19. Uma mega estrutura foi montada com parque de diversões, camarotes vip e uma boa variedade gastronômica. Diversas modalidades, como: Montaria em touro, laço duplo e tambores. 
Tudo dentro das leis de rodeio, inclusive o uso correto do Sedém. O New Dance marcou presença no evento. O professor Diogo Couto e seus pupilos caíram na “dança” nesta magnífica festa. Todos livres para arrastar os pés e colocar em prática o que foi aprendido nas aulas. A arena era livre, e mesmo com areia grossa na sola dos sapatos, não foi impedimento para o bailado valer a pena. A moda Sertanejo, estilo cowntry, vanera ou marcar firme o arroxa. 
Tudo se torna um glamour. O pública tem um entrosamento gostoso, pedem informações sobre as aulas, os estilos, e claro todos se tornam amigos da família New Dance. Parabéns Diogo! Sua arte contagia e os pupilos se tornam livres em passeios como este, se sentindo em casa, e gratos não só pelas aulas e companheirismo, mais é um enorme prazer ter seu carinho, amizade... om cada um... “Segura peão, vamos que vamos”!

Diogo Couto


A mais completa das artes um dia me envolveu. A dança. Ela e eu. Espírito e carne, movimentos e suor. Ao longo do meu tempo, ela me influenciou, me tornou o que hoje sou, e sou dela ainda, desde pequeno. É a minha cultura, meu pequeno mundo, e me delicio vivê-lo. 

E me pergunto por que isto é tão especial, pra mim?! Sou de fibra e garra, verdadeiramente único. Me sinto vivo, E no meu passo a passo, no descompasso, me realizo, internamente. E vou tocando, abraçando, vendo, ouvindo, caçando monstros dentro de mim, brincando de viver, dançando...Dançando...Numa sintonia perfeita, feito casal feliz, no Bolero, na Salsa, Zoulk...Sou feito de passos marcados, coreografia abstrata de querer, e quero, quero o refrão da música mais bela, quero enxergar meu reflexo no espelho...E não ser simplesmente de histórias bem contadas, ou uma capa de livro bom, quero suar no ritmo frenético, ou suavemente na Valsa melindrosa da vida. Sou Diogo, não José. 

E fui aquela criança em frente da TV. Que me encantava com ritmos, com merengues e gingados...Com passos cimétricos de um lado para o outro, me embalando... Era encantador aos meus olhos. E hoje, instantaneamente, me delicio, e sei que algo já me domina, e é algo tão profundo, vindo de dentro mim, feito amor a primeira vista. E este amor ainda o tenho, inteiramente. E desajustado sigo, me inspirando em todos os bailados. 

Flutuando na arte em dançar, e com o coração cheio de magia... Serei o mago verdadeiro da pista iluminada? Desejo voar... E entre holofotes e andamentos majestosos... Sintonizo-me na música que já soa alto no salão...Um...Dois…Já sigo bailando, aperfeiçoando somente o que já havia dentro em mim...


Mulheres


A incrível geração de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer. Às vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a mulher dos seus sonhos: “Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá. 

Ela deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender de imposto de renda. Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo de fazer tudo o que ela faz e malhar. Mas acima de tudo: ela tem que ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.” Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta. 

O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a expectativa da maioria dos meninos, jovens homens,  homens e velhos homens. O que nossos pais esperam de nós? O que nós esperamos de nós? E o que eles esperam de nós? Somos a geração que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar, trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência. 

Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado. Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito como pombos. Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um priminho. 

Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração. Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês. Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro.  Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa geração. Mas, escuta, alguém  lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão? Aí, a gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se pergunta “que raio de cara vai me querer?”. 

“Talvez se eu fosse mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados. Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas. Talvez…” Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário. Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que alguém questione nossa rotina. O fato é: quem foi educado para nos querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia? Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e não da dependência? E não estou aqui, num discurso inflamado, culpando os homens. Não. 

A culpa não é exatamente deles. É da sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas querem noras que vivam em função da família. No fim das contas a gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma mulher. E o melhor: nem queremos ser. 

Que fique claro, nós não vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta”. Achei incrivelmente legal e emocionante o texto de Ruth Manus. 

Confesso que me segurei para não cair aos prantos. Me comovo com a “nossa” história, nós mulheres, que conseguimos conquistas, nesta constante luta por igualdades e de um lugar ao sol. Não podemos nos exigir demais, apenas ser realistas e perceber que somos capazes, e que temos muito a oferecer. Acho que um dia dominaremos o mundo... 

E aí meninas, vamos?


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