Tenho sede, uma absurda vontade de goles grandes de palavras "malditas" (...)

Crônica Por sulla Mino...Fred Burle

Engana-se quem achar que este rosto bonito é somente um rostinho bonitinho na Net. Minha andança nas palavras, nas intermináveis e incansáveis buscas por uma inspiração, encontrei Sr. Burle, meu amigo Fred. Ele tem vinte e poucos anos, é mineiro uai e vive em Brasília, na verdade se encontra no momento em Berlim, não é fraco não. Produtor audiovisual e tem concluídos 5 curtas-metragens. Produziu também um documentário em longa-metragem, assim como um capítulo para uma série da TV Brasil, a ser exibido em 2011. Burle é formado em Arquivologia. Jovem, bonito, inteligente e muito atencioso, nem quero saber se é solteiro, pra mim não vai fazer diferença alguma, não sei se minha amiga Saulinha de Mossoró vai querer saber deste minúsculo detalhe. Cinéfilo, criou um Blog para expressar as opiniões sobre sua paixão, o cinema. Atualmente publica seus artigos e críticas no blog e no portal CinePop, mas já publicou também no Idearium e no Jornal Alô Brasília . Gosto muito das suas palavras, suas críticas aos filmes são essenciais ao nosso lazer, embora não concorde com algumas citações, por exemplo, dizer esta frase para despedida de Sheck “a chave utilizada para ir embora foi de latão e da porta dos fundos”. Em Avatar, avistei que existe um certa sensibilidade em seu “ar” de crítico, A princesa e o sapo também foi um filme maravilhoso e só o Sr. Burle mesmo para perceber sobre alguns detalhes interessantes, obvio de quem gosta mesmo dos filmes Disney, não li crítica tão bonita sobre esta animação, na verdade, acho que foi uma bela crônica. A página do Sr. Burle deve ser lida como uma “parada obrigatória”, um livro de cabeceira, vale muito à pena. Gosto é gosto, não se discute e cada um tem o seu paladar as coisas, continuo fã do Sr. Burle, não vai ser um sarcasmo aqui, algo peculiar ali, que fará mal ao meu pensar sobre o galã das críticas, o meu preferido e estou feliz pela nota 9,5 que deu ao espetacular Toy Story, não podemos negar que toda ação do filme é sempre muita diversão para a garotada e estou muito feliz em concordar com suas citações a Mary e Max, o filme é maravilhoso e Sr. Burle fez jus aos elogios prestados a esta obra-prima. Não sou crítica, apenas sou uma amante dos filmes, enquanto estou de um lado apreciando a história, o galã ou a mocinha, torcendo por um final feliz, já que nas páginas da nossa vida não temos isto com frequência, apesar de não me atrair muito certos finais “felizes para sempre”, do outro lado Sr. Burle analisando a sonoplastia, trilha sonora, arte, figurino...Concordo e é seu dever isto fazer, ao meu bel-prazer, suas críticas fanáticas são essenciais para que possamos analisar qual filme escolher e deliciar na telona e claro, saborear uma gostosa pipoca. Meu cinéfilo preferido: Sr. Burle Nota: 9,9

Poesia por Sulla Mino...A morte e eu


Vejo um vulto escondido atrás de velho morro,

ouço um grito inquieto vindo de lá, cessante e bem agudo,

ofereço ajuda com palavras finas de minha boca tímida,

estava descalço naquele chão quente, longe de casa, terrível medo e dor.


Recitei meus versos, no meu linguajar maduro, bem ligeiro,

tornei-me pleno e voraz naquele instante, sinistro momento,

minha sombra se esconde, em volta de mim ecos, ecos somente.

Uma música teria feito mais efeito, uma voz um tanto rouca talvez.


Era a morte que apareceu tão bela e sorridente pra mim,

fez um aceno, fazendo escurecer o céu com nuvens cinzas,

o morro tremia, o vulcão nascia, larvas tomavam o morro a baixo,

brilhavam feito pedras de brilhantes e tinha um barulho ensurdecedor.


O pequeno vale se transformava em treva, meu lábio tremia, mudo,

torcia para minha coragem correr dali,

o inferno tomava conta, trazia a tona velhos deuses,

almas gritantes em desespero, eu temi novamente.


Num giro mágico, encontrei-me à frente de um abismo,

minha lucidez virgem, meu pensamento ausente,

minhas mãos frias desapareciam feito pó, depois todo o corpo,

era o encontro com o mestre, eu já não era um sábio homem.


Em minutos o silêncio reinou devagar, tudo já era em forma de flores,

o abismo se tornara um imenso espelho e eu pude me jogar,

as almas dos meus deuses evaporavam no céu,

eu tomava um outro corpo, sem formas exatas, sem cor e lindas asas.


A morte tomava outro rumo, indo ao Norte,

eu seguia pelo céu tomado de estrelas,

era o caminho mais curto agora.

A morte e eu, tentando chegar ao encontro com Deus.

Crônica: Elaine e seu mundo

Não posso me comparar a um pássaro solto por aí, dando seus rasantes nos vales das sombras, sou de um tempo que já está fora, estou fora, no meu controle insano.

Não sou uma ave perdida entre dois mundos, agarrada a uma térmica silenciosa. Sinto dor, choro, sinto coisas absurdas dentro de mim, não sei entender e muitas vezes não quero aceitar.

Gosto do gosto amargo da fruta que como, de me despir para a noite sangrenta do meu desespero, não sou verbal, apenas abstrata.

Delicio-me recordando velhas lembranças esquecidas, aquelas que todos fazem questão de apagar das mentes doentias e loucas, dia após dia me reviro, enlouqueço no meu delírio, tudo imediato e constante.

Apego-me as tolices, feito brincadeira de criança levada, abro o baú, aquele jogado no sótão, me entrego em teus mistérios. Brinco com seus jogos meigos de cinco anos, me enrolo no lençol azul com balões coloridos, brinco com o apito, a peteca, pião..

Vivo cinco horas por dia, diante daquele baú sou mais mãe, mais eu, sem me importar com aqueles vermes conversando na sala de estar, destacando a crise financeira, revendo maneiras de me trancafiar, de me envolver naquele cadeado antigo do vovô.

O pássaro cinza decola mais uma vez, sente o vento em suas penas, plana, sente o gosto da liberdade, seus olhos mansos cultuam todo o vale escondido atrás dos montes, em um lugar aonde o homem inda não chegou pra destruir. E eu tenho a verdadeira guerra dentro de mim, conflitos e batalhas.

O baú ainda é meu velho e único companheiro, perto dele sou a estrela do palco, uma criança brincando, quando estou revirando-o sinto que meu pequenino ainda está em meus braços e é neste momento que sinto que posso voar, de alguma forma está fora da verdadeira realidade.

Agarrei-me ao baú, como se nele estivesse o mundo guardado, só meu, eles me puxavam, me tiravam a força daquele quarto, senti-me com a asa quebrada, sei que me levam novamente para a gaiola.


Contos que conto...Um Desconhecido Parte II

- Tenente, olhe isto aqui meu amigo, o camarada era um louco mesmo.

- Olha, olha. Ele colecionava belas fotografias.

- Não meu amigo Pedro, são as vítimas...

Enquanto os detetives averiguavam o conteúdo da cena, os policiais lacravam a quarto, removiam o corpo daquela jovem que estava na cama. Amordaçada, ensanguentada, despida.

- Não! Não! Minha amiga, não!

Bety entra eufórica no quarto do rapaz, o estranho amigo de seu namorado.

- Foi ele, foi ele, o amigo do Toni, eles saíram juntos da festa ontem, acho que ela estava apaixonada.

- E onde está este rapaz? O perito perguntava curioso a jovem que ainda lamentava a morte da amiga.

- Não sei Sr.Policial, ai meu Deus...Não sei!

Bety não se conformava com o que tinha ocorrido, estava aos prantos, abatida com aquela loucura toda em sua volta.

Toni chega e conforta a namorada... Conversam com os detetives e saem um tempo depois daquele maldito quarto e seguem para a delegacia, prontos para um depoimento.

- Esta jovem mora no prédio 22 desta esquina Sr., segundo moradores, ela morava sozinha, não tinha namorado e trabalhava na Street Center, uma boa moça.

- Pedro, ela se encaixava bem ao perfil que o psicopata queria, jovens solitárias, este é o nosso homem, já fazia muito tempo que ele não aparecia, dois anos atrás foi quando quase o pegamos.

- Então Capitão, o que faremos agora?

- Vamos atrás dele, por onde começamos? O que sabemos dele?

- Pedro, ele é linha dura, atua com disfarces e mentiras, chega como não quer nada, já estamos no calço dele.

Seis meses depois...

- Olhe agora Amanda, o bonitão chegou bem acompanhado de novo.

- Suzy... O rapaz tem namorada, para de bisbilhotar da janela.

- O que lhe atrai nele amiga?

- Ele ser um desconhecido.



FIM





Imagem Google

Por Francis Gary Powers, famoso piloto da USAF, derrubado na Rússia em 1960

Ser Piloto

Existem dois tipos de pilotos, aqueles que levam em seu sangue a necessidade de voar, pelas mesmas razões que precisam dormir, comer ou respirar, e aqueles que o fazem apenas pela tarefa, por obrigação ou por não ter outra alternativa. Esses últimos normalmente chegam à profissão por acaso ou outra forma não planejada. Os primeiros freqüentemente tem a inquietude desde pequenos, quando viam nos aviões algo notável, místico, sublime, talvez muitos destes começaram desde pequenos a construir modelos de aeroplanos, ou acumulando fotos e pôsteres ou qualquer outra coleção com motivos aéreos. Conheciam as especificações e dados de qualquer avião com riqueza de detalhes. Quando crescem e têm a sorte de realizar seu sonho de criança, desfrutam plenamente do seu trabalho e sentem-se os homens mais sortudos do planeta. Os pilotos são uma classe à parte de humanos, eles abandonam todo o mundano para purificar seu espírito no céu, e somente voltam à terra depois de receber a comunicação do infinito. Esse grupo conhece a diferença entre voar para sobreviver e sobreviver para voar. A Aviação os ensina orgulho como também humildade e apesar de que voar é uma magia, eles caem voluntariamente vítimas de seu feitiço. Quando estão na terra, durante dias ensolarados, observam continuamente o firmamento com saudades de estar ali, durante dias chuvosos e nublados revêem os procedimentos de voo em suas mentes. O piloto sabe que o melhor simulador de voo esta em si mesmo, em sua imaginação, em sua atitude, porque a mente do piloto esta sempre acessível a elementos novos e compreende que para voar é preciso acreditar no desconhecido. No mais, os pilotos são homens lógicos, calmos e disciplinados, que pela necessidade precisam pensar claramente, de outra maneira se arriscam a perder violentamente a vida ao sentar-se na cabine. O verdadeiro piloto não amarra seu corpo ao avião, pelo contrário, através do arnês ele amarra o avião em suas costas, em todo seu corpo. Os comandos da aeronave passam a ser uma extensão de sua personalidade, essa simples ação une o homem ao aparelho na simetria de uma só entidade, numa mistura única e indecifrável, cada vibração, cada som, cada cheiro tem sentido e o piloto os interpreta apropriadamente. Não há duvida de que o motor é o coração do avião, mais o piloto é a alma que o governa. Os pilotos não vêem seus objetos de afeição como máquinas, ao contrário, são formas vivas que respiram e possuem diferentes personalidades, em alguns momentos falam e até riem com eles. Esses seduzidos mortais percebem os aviões com uma beleza incondicional, porque nada estimula mais os sentidos de um Aviador que a forma esquisita de uma aeronave, não podem evitar, estão infectados pelo feitiço, e viverão o resto de suas vidas contemplados pela magia de sua beleza. Para o piloto perceber um avião é como encontrar um familiar perdido, uma e outra vez. Quando o destino trágico mostra sua inexorável presença e vidas se perdem em acidentes a essência do piloto se entristece pelo acontecido, mais não poderá evitar, talvez por infinitesimal segundo, que a sombra de seu pensamento volte aos aparelhos, e um golpe de afeição pelo amigo caído seja inevitável. Para o Aviador o som dos pistões é uma bela sinfonia, o som de um jato a síntese da força. Aviões perigosos não existem, somente não são pilotados adequadamente, para eles os aeroportos são altares ao talento humano. Ali se realizam diariamente os desafios e os milagres frente às energias da natureza e a força da gravidade. São lugares sagrados, onde o ritual de voar se exalta e se glorifica, de onde caminhos e fronteiras se encontram e o mundo fica pequeno, nos que se chora de alegria e também de tristeza, onde nascem esperanças e sucumbem ideais, onde o som do silêncio habitam as lembranças. No ar o piloto esta em seu elemento, em sua casa, ao que pertence, é ali que ele se liberta da escravidão que o sujeitam na terra. É um dom de Deus que ele aceita com respeito e alegria. Este privilégio lhe permite escalar as prodigiosas montanhas do espaço, e alcançar dimensões no firmamento que outros mortais não alcançarão. Este presente permite apreciar a perfeição do criador e o absurdamente pequeno humano. Permite-lhe igualmente reconhecer que ninguém há visto a montanha dali, como sua sombra do céu. Distinguir uma pessoa que deu sua alma à Aviação é fácil, em meio à multidão quando um avião passa seu olhar volta-se imediatamente ao firmamento buscando-o e não descansará até que o veja. Não importa quantas vezes haja visto o mesmo avião, é preciso vê-lo novamente, é algo inconsciente e espontâneo. Os pilotos talvez possam explorar os elementos físicos do voo, mas descrever o que ocasiona sua existência é impossível porque explicar a magia de voar esta além das palavras.

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