Tenho sede, uma absurda vontade de goles grandes de palavras "malditas" (...)

Modelo



Não venho abordar modelo, como aquela cervejaria mexicana ou documento de "gabarito", tampouco representação de parâmetros morais e virtuosos, muito menos do hipermercado em Portugal. Modelo: a pessoa que disponibiliza a sua imagem para ser registrada em fotografia, pintura, escultura ou desenho. 

Ainda hoje, em muitas faculdades de belas artes, em cursos, utilizam-se modelos nus em nudez artística. Manequim, do francês mannequin, é ainda o termo empregado em Portugal para designar o profissional que se veste ou usa roupas e acessórios de determinada marca ou estilista para desfilar. No Brasil nas décadas de 60 e 70, o termo caiu em desuso e na década de 80 deu lugar às denominações modelo de passarela ou modelo fashion. Surgiu também o fenômeno top model, um grupo de modelos destacados como Cindy Crawford, Christie Brinkley, Elle MacPherson, Claudia Schiffer, Naomi Campbell, Linda Evangelista, entre outras que viraram celebridades em suas carreiras. Mais tarde, em meados nos anos 90, o termo supermodelo começou a ser mais empregado para se referir a esse tipo de profissional bem-sucedido. 

Em 2000 uma revista inglesa criou a terminologia Ubermodel para designar o sucesso atingido pela modelo brasileira Gisele Bündchen. Há na moda a categoria New Face, que são modelos recém-engajados. Perfil feminino ideal: Mínimo de 1,72 m de altura, quadril de no máximo 90 cm, ter entre 14 e 25, corpo delgado e pernas longilíneas, manequim 38. A lista é extensa das modelos nacionais e internacionais de fama das diversas passarelas no mundo. Adriana Lima, Alessandra Ambrósio, Raica Oliveira, Gisele Bündchen , Izabel Goulart entre outras, perfis globais, famosas em capas de grandes revistas, famosas marcas, filmes, comerciais. 

Não deve ser fácil ganhar 90 mil, 30 milhões! “O Brasil é uma fábrica de produzir e exportar modelos para outros países, até parece que assim como o futebol, a arte de desfilar pelo mundo é uma coisa que está no sangue”. De nove entre dez meninas, se você perguntar em casa ou na escola o que elas querem ser, a grande maioria vai responder: - Quero ser modelo! “Na antiguidade, os modelos eram utilizados pelos pintores para representar histórias religiosas ou bíblicas. 

Na renascença era comum a utilização de modelos vivos, muitas vezes mulheres de formas generosas, como a Mona lisa, de Leonardo da Vinci”. Antes de tudo procurar um bom Studio para fazer fotos e montar um lindo book para entregar na agência. Fotografar sem medo, soltar as amarras presas no peito, não deixar a timidez falar alto. Na nossa infância, costumamos brincar de desfile e posar para uma câmera, o sorriso sempre era farto no rosto e nosso sonho era somente um, ser modelo e poder desfilar nas passarelas do mundo fashion. 

De qualquer tipo, de passarela, de fotografia, de manequim, o lance era ser uma Top Model de sucesso. Por que desistimos? Eu desisti, porque descobri um outro caminho que já corria em minhas veias, uma amiga da terceira série, hoje é Veterinária, ama cuidar dos animais indefesos, uma outra é Professora, corria nela a arte de ensinar. 

É assim, a gente segue os instintos. “Você é do tamanho do seu sonho”. O esforço de uma modelo é não ter excessos, a alimentação é fundamental, postura, e exercícios. “Tenha em mente que a vida de modelo  não é tão fácil como você está acostumada a ver na TV, disciplina é a palavra certa que define a vida”, frase recomendada em todas as revistas de modas, por profissionais da área. Agência de modelos e manequins realiza fotos para Book fotográfico, fotos para banner´s, catálogos, revistas, eventos, propaganda e publicidade, e divulga...Isto é pura arte! 

E nas passarelas, sonhos se realizam, verdadeiras beldades esbanjam charme e beleza, este é o glamour.


Pulo da Gata




As frestas me caem bem. Amoleço o corpo para passar nas brechas mais apertadas. Vou à procura de muros altos, gostaria de conversar mais de perto com a lua. A lua brilha intensa para mim lá no céu. Saio à procura de “miaus”, de brincadeiras que me fazem cair nas latas de lixo da rua imunda. Dói estar só. 

E acordar todos os dias com gosto de solidão na boca, me corta. Corta-me em cacos pequenos. E sinto que entre meus afiados dentes, está a prova de que noite passada não me comportei bem. E o resto de sangue no canto da boa, me soa algo que realmente não gostaria de lembrar. Ainda me pertence às tentativas de pertencer algum lugar, talvez Roma me acalme. E receber moedas de esmolas ainda não faz parte de mim. 

Mesmo que eu cante ou dance feito macaco de circo, ainda assim não faria bem, continuaria tola. Mansa... Uma mansa e pequenina. E os ratos não me incomodam mais, mesmo que se vistam de soldados de guerra, ou mesmo que fumem um cigarro especial, ainda assim não seria suficiente para chamar minha atenção. Continuo a procura de “miaus” nas noites insanas para o meu prazer. E como se o mundo fosse acabar em minha volta, corro pelo quarteirão a procura de vagalumes. Luzes incandescentes que me confortam os olhos, gravetos que se prendem a mim...  E a dor se torna ainda maior. 

Como se amigos se espalhassem por aí em busca de comida velha, restos vindos dos restaurantes da redondeza. Ou apenas fogem de mim. Por isto o silêncio me cai bem. E vou me sentindo de tantas formais em minhas sete vidas. 

Ora vou um zumbi perdido no escuro, ora sou uma rosa nascendo entre as pedras polidas da calçada. E outros sons e vozes me chamam a atenção, parecem zumbidos na orelha. E a sensação de não estar mais dentro de mim tão viva assim, me eternizo na conversa informal com a noite que me abraça. E me sinto como se estivesse sendo punida. 

De alguma forma por ter derramado a soda quente no chão... No girar do pescoço da coruja que sonda noite adentro e em todas as outras noites. E as estrelas ecoam notas, uma letra sertaneja que fala de amor. Sou negra de olhos grandes e verdes. E todo este turbilhão de coisas, este saltitar por aí nos telhados da vida, seria mais um sonho estranho nos meus cochilos da tarde? 

A felina que se esconde em mim? Esta gatuna que me fere na “maldição do seu azar”, que me envenena com espinhas velhas de peixe?  

Ou seu.... Cio que me entorpece? Ou seria apenas mais um pulo da gata?

Tarobá e Naipi - Lenda das Cataratas.





No Paraná existem muitas lendas e tiveram início com os diversos povos que formaram o Estado. São comuns as lendas e contos de origem indígena, relacionadas aos escravos, padres jesuítas ou ao movimento do Tropeirismo. 

Lendas também de santos, de lobisomens, demônios e muitos monstros. Maldições, pragas e assombrações, curas; sobre heróis, bandidos e até de tesouro encantado. Mas, história de amor proibido realmente é o que  encanta o mundo afora. Cataratas de Foz não é somente  um conjunto 275 quedas de água no Rio Iguaçu. O sistema consiste de 275 cachoeiras ao longo de 2,7 km do rio. Algumas das quedas individuais têm até 82 metros de altura, embora a maioria tenha cerca de 64 metros. 

A Garganta do Diabo, em espanhol: Garganta del Diablo, uma queda em forma de U, tem 82 metros de altura, 150 metros de largura e 700 metros de comprimento, é a mais impressionante de todas as cataratas e marca a fronteira entre a Argentina e o Brasil. “ Conta-se que os índios Caigangues, habitantes das margens do Rio Iguaçu, acreditavam que o mundo era governado por M'Boy, um deus que tinha a forma de serpente e era filho de Tupã. Igobi, o cacique dessa tribo, tinha uma filha chamada Naipi, tão bonita que as águas do rio paravam quando a jovem nelas se mirava. 

Devido à sua beleza, Naipi era consagrada ao deus M'Boy, passando a viver somente para o seu culto. Havia, porém, entre os Caigangues, um jovem guerreiro chamado Tarobá que, ao ver Naipi, por ela se apaixonou. No dia da festa de consagração da bela índia, enquanto o cacique e o pajé bebiam cauim (bebida feita de milho fermentado) e os guerreiros dançavam, Tarobá aproveitou e fugiu com a linda Naipi numa canoa rio abaixo, arrastada pela correnteza. 

Quando M'Boy percebeu a fuga de Naipi e Tarobá, ficou furioso. Penetrou então as entranhas da terra e, retorcendo o seu corpo, produziu uma enorme fenda, onde se formou a gigantesca catarata. Envolvidos pelas águas, a canoa e os fugitivos caíram de grande altura, desaparecendo para sempre. Diz a lenda que Naipi foi transformada em uma das rochas centrais das cataratas, perpetuamente fustigada pelas águas revoltas. Tarobá foi convertido em uma palmeira situada à beira de um abismo, inclinada sobre a garganta do rio. 

Debaixo dessa palmeira acha-se a entrada de uma gruta sob a Garganta do Diabo onde o monstro vingativo vigia eternamente as duas vítimas”. Lindo não é? Estes índios, os caingangues ocupam cerca de trinta áreas reduzidas, distribuídas sobre seu antigo território, nos estados de São Paulo, Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, no Brasil. Sua população é aproximadamente de 3000 pessoas.  

Os caingangues estão entre os cinco povos indígenas mais numerosos no Brasil atualmente. Turistas podem fotografar tanto a vista maravilhosa das Cataratas e também se fotografar com as imagens de Naipi e Tarrobá pintadas numa linda tela gigante que tem por lá, Selfie bem legal para o álbum do passeio. 

As Cataratas, ainda um ponto turístico muitíssimo frequentado até hoje, pudera... Com a exuberante vista que tem...

Meu Samba



“É melhor ser alegre que ser triste, Alegria é a melhor coisa que existe É assim como a luz no coração”. Como o poeta Vinícius já dizia.  

A alegria realmente é a melhor coisa que existe. Alegria em acordar e cumprimentar o dia e deixá-lo entrar mansinho pela janela do quarto. E hoje eu deixei a manhã entrar, ensolarada e rosa pela janela da minha casa, e acordei com vontade de fazer um samba. “Mas pra fazer um samba com beleza, É preciso um bocado de tristeza, É preciso um bocado de tristeza, Senão, não se faz um samba não”. 

E meu samba tem beleza, uma beleza vinda da flor que desabrocha lá na varanda, e tem um rebolado maduro, feito o da mulata do morro. Meu é samba sincero e quero falar de uma mulher bonita, linda por fora e por dentro, uma mulher... Quero falar de amor, de muito amor a letra tem de ser. 

Mais o poeta me ensinou que uma mulher não pode ser só linda, e que não se pode ter só amor. “Senão é como amar uma mulher só linda, E daí? Uma mulher tem que ter, Qualquer coisa além de beleza, Qualquer coisa de triste, Qualquer coisa que chora Qualquer coisa que sente saudade”. 

A mulher do meu singelo pensar, tem de ter um quê de especial... Um molejo de amor machucado, Uma beleza que vem da tristeza, De se saber mulher, Feita apenas para amar, Para sofrer pelo seu amor, E pra ser só perdão”.  A mulher do meu samba é triste e perdoa quem fez sua lágrima cair. O meu samba é alegre de uma mulher triste. Triste e bela. Este conjunto simétrico! 

A letra revela bla blás e incertezas, lamentos poucos e um tantão de delícias. “ Fazer samba não é contar piada, E quem faz samba assim não é de nada, O bom samba é uma forma de oração”. E falando em oração...Eu oro para meus anjos, e fico feliz, acobertando esta minha tristeza rebelde e malandra. Mais um dia não serei assim, nem eu e nem esta mulher que canto reflexões de amor. “Porque o samba é a tristeza que balança, E a tristeza tem sempre uma esperança, A tristeza tem sempre uma esperança, De um dia não ser mais triste não”. 

E nesta manhã de muita felicidade, de lembrar da mulher dos meus sonhos...Esta manhã me fez esquecer que apenas sinto uma falta, uma falta da mulher que faz brilhar melhor a lua no céu, e me deu esperança de encontra-la por aí...Na passarela do meu samba triste. “ A vida não é brincadeira, amigo, A vida é arte do encontro, Embora haja tanto desencontro pela vida, Há sempre uma mulher à sua espera, Com os olhos cheios de carinho, E as mãos cheias de perdão”. 

E ei de encontra-la! Um dia, quem sabe na rua do amor, ou na esquina da minha grande tristeza. E vou vivendo enquanto espero, sambando, acordando com minhas manhãs rosas e amarelas...E quem sabe não me mudo pra Bahia?! Dizem que a poesia é melhor cantada por lá... E se Vinícius pela bênção a Caymmi e Cartola para continuar o samba, peço a benção a Safo, Augusto dos Anjos...Pra eu conseguir melhor viajar nas palavras de sofreguidão, da morte que se equaliza em meus versos, nas minhas rimas toscas...Hoje o papel está ainda branco, a poesia matuta em mim não apareceu...Ainda tenho o coração negro, ainda não tenho o seu perdão. 

E quem há de me amar mais? A mulher das minhas insônias ou a Poesia que não gosta do meu samba? Freneticamente soa o meu pandeiro, e notas soltas percorrem do meu Samba, do meu bem.


Ser Humano_Parte 3



Ser Humano_Parte 3

Ainda falando sobre as reflexões em torno da série de Tv Being Human (Ser Humano), temos muito que falar, na verdade, temos muito que pensar,  principalmente no que temer. Ser Humano. Temos muitas coisas para falar desta espécie. Coisas boas e coisas ruins. Penso nos mortos, penso nos vivos... O que realmente herdaremos? Ponho-me a refletir no que vem depois. Se realmente houver este depois. Procuro palavras para me acalmar, para preencher esta lacuna cheias de dúvidas em minha vida. Morte. 

Ela faz parte de nós, no começo, meio? No fim. “Toda cultura tem sua própria forma de se despedir. Confortar nos rituais que preparam os vivos para a morte. Facilitam a jornada para o vem depois. Mas ao fim, a morte é uma jornada que você trilha sozinho. Para alguns de nós, tal jornada leva a um atalho secreto, através de uma floresta sombria, onde ao contrário de respostas, só encontramos uma nova série de perguntas”. Somos todos monstros ou realmente humanos? Se formos tão humanos assim, o que nos tornam diferentes? E será que há uma mudança? “Uma das maiores habilidades humanas é o poder de mentir. Se por bem ou mal, benefício ou sobrevivência. Nós distorcemos a verdade. É uma habilidade que adquirimos cedo e aprimoramos com o tempo. Encobrimos os olhos dos nossos pais, professores ou chefes, até mesmo os nossos. 

Dizemos a nós mesmos que perderemos o peso, pararemos de fumar, e que, ao fim do dia, seremos boas pessoas. O que acontece quando não conseguimos nos convencer que, lá no fundo, não somos material de pesadelos?” Realmente somos o que somos, fazemos o que fazemos e ao final não sobrará muito que perdoar. “A única constante na vida é a mudança. Pessoas, como uma espécie, estão em metamorfose contínua. Quando nos acostumamos a engatinhar, ficamos de pé. Nosso instinto é resistir à mudança, temê-la. Então, embrulhamos com uma palavra bonita, como “evolução”, e esperamos que torne a pílula...Mais fácil de engolir. A questão é...A mudança não liga se você a ama ou odeia. A mudança é indiferente. Difícil de lidar. 

E ela nunca será negada”. Então podemos mudar de alguma forma, isso é muito bom, para todos nós. Estamos tão preocupados com muitas outras coisas, que esquecemos que sempre existe uma parte boa, algo bom que sempre acontece. Não podemos ficar esperando somente. Temos de percorrer os caminhos, mesmo estando cheios de espinhos. Será realmente que não estamos todos já mortos? Bem lá no fundo, sei que pensamos nisto, por isto lutamos tanto em viver? Sentimos poucas vezes uma calmaria no ar, uma quietude. Mas sentimos quando uma tempestade está para se formar em nossa vida. “Quando se sabe que terá uma morte violenta, quando é a única forma possível de morrer... É tudo uma questão de esperar pela última tempestade. 

Se a espera não te matar primeiro”. E vamos vivendo...Adquirindo novos modos de sobreviver. Somos todos únicos e com muitos motivos para querer subir sempre degraus mais altos, e não temos um tempo certo para ir embora. E sempre deixaremos uma marca, uma importância especial. Somos humanos, e isso funciona não é? E só o que nos destrói é um segredo. Tudo pode dar errado, ter um efeito contrário do que planejamos. “É feito cólera... Sombria, corrosiva. É uma longa história, a maior parte inacreditável. Mas está fora de você saber a verdade. Agora que não tenho mais nada a perder. 

Quando eu for embora, quero que ao menos saiba o que eu era. E o que você é pra mim. Nada mais importa. Não mais”. Então  não podemos deixar para o fim, a transparência do que somos agora. Tudo faz parte de um plano maior que nós. Incrivelmente estamos nesta existência para um bem maior e sei que podemos ser humanos de verdade. Deixar embutido este fantasma que nos rodeia, este vampiro que nos consome e este lobo que nos atormenta. 

Somos mais fortes que estes personagens em nossa mente, este tipo de monstro cruel que nos ataca insanamente, constantemente. E este ser cruel que nos mantém, ainda sem rosto ou nome, podemos torna-lo invisível ou até mesmo arrebatá-lo de nossa vida, sei que existe uma forma amável de sermos somente um ser. Podemos ser...Humanos.

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