Tenho sede, uma absurda vontade de goles grandes de palavras "malditas" (...)

Poesia por Sulla Mino...Náufragos

Estamos sem respostas
neste tempo que aqui não passa,
no submundo dos avessos,
no vazio velho e perdido.
O horizonte tão distante de nós,
não vemos velas ou iates,
temos o sol escaldante da manhã e
só podemos sentir no rosto o frio da noite,
esta vista fora da varanda.
Quanto tempo ainda nos resta?
Somente som de ondas, sem palavras, sem rimas.
Acendemos a fogueira a lembrar luzes de Las Vegas,
brindamos com água de coco,
sentindo o gosto de Black Label,
fitamos estrelas, mesmo com o rosto sujo de
lágrimas e ao amanhecer a diversão é
desenhar na areia SOS.
Somos náufragos de um
momento que não volta mais,
de um instante que se perdeu no meio do nada,
nada nos bolsos e paletós,
lembranças nas mentes e
muita vontade de voltar para casa.
O sabor salgado não sai da boca,
a pele já muito bronzeada,
os cabelos já estão grisalhos,
quanto tempo estamos assim?
Não sabemos se o mundo lá fora
é melhor agora,
no vai e vem de automóveis,
ruídos de máquinas modernas,
fome, guerra, traições e doenças.
Somos náufragos de tolices,
o melhor é ficarmos ilhados...
Sem modernidades?
O problema é não poder voltar,
agora nada, nada, nadar.

3 comentários:

VELOSO disse...

Gostei muito!!!

Anônimo disse...

Gostei. Aqui, nesta poesia, o leitor pode interagir e tentar ler as entrelinhas. Eu, particularmente, me apropriei desses versos e me vi, na década de oitenta. Transição de Regimes, mocidade, insegurança, futuro ainda incerto, dúvidas, amores... Tentativas frustradas diante de alguns sonhos, volta do sul para o norte, enfim, esses versos me fez viajar... E muito.
Abraço,s
Raí

Anônimo disse...

Um belíssimo poema, verdadeiro retrato do cotidiano, mostrando o ser humano, seus conflitos, suas dúvidas e anseios. Parabéns, poetisa, é um lindo trabalho!

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