Tenho sede, uma absurda vontade de goles grandes de palavras "malditas" (...)

Corpo incógnito

O corpo está imóvel na margem do rio,

tivera uma vida estúpida,

sonhando o amor,

no sono da alma.

A pele já fria ao entardecer que se alastra,

a tarde que chega sem pressa e

sem aviso algum.

Será mais um corpo jaz?

Uma sonhadora qualquer,

um belo vulto no fim de tarde

aos olhos de ninguém.

Um mérito morrer!

Quando a dor aflora, o mundo chora...

O corpo insípido cai no rio,

sob a noite que chegara depressa.

O ordinário correra mata adentro e

em sua companhia uma simples recusa

de uma manhã anterior.

Balança balanço

Balança balanço, leve-me daqui porque a morte está na minha vista, eu a quero e sei que ela também me quer, quero fugir deste parque de diversão que é a vida, quero ir longe, pra longe daqui, pisar fora deste chão quente e pelo menos dar um passo fora deste círculo de terror e sair deste sobe e desce da roda-gigante, destas circunferências oscilantes sobre meu pesar.

Meu coração bobo está cansado de se arriscar ao pé do destino cruel que é o amor e nada simpático ao meu parecer. Enxugo lágrimas diárias em meu rosto e cubro um homem de preto com meu olhar diabólico todas as noites antes de dormir. Cubro meu ventre depois de ter feito sexo e agora peço desculpas por não ter sido seguro?

Quero ir para não forrar a cama que me deitei ontem à noite ou lavar a taça que deixei suja caída no chão do quarto, naquele carpete persa, retirar aquele vestido de seda que deixei em cima do abajur. Quero poder não poder querer nada.

Clama meu coração e chora ao mesmo tempo, insano e tolo, se soubesse que amar era assim não teria amado, não teria saído de casa tão cedo, pensei que fossem inabaláveis as façanhas do amor e agora o balanço quebrou, já estou próxima ao chão, numa altura que eu mesma escolhi, eu mesma calculei e que em toda a minha vida desejei.

Estou com o braço aberto, feito ave para levantar o primeiro voo ou me jogar. Amarrei o balanço na mangueira, o galho forte que dá para a entrada principal do quintal, a corda é nova e azul, minha cor preferida, o nó que fora dado é bem apertado, um marinheiro ensinou-me um dia.

Nenhuma razão poderá trazer-me de volta, outra vez ficar. A vida estava em minhas mãos e coloco-a no bolso. Não deixo um adeus, nem um sorriso, marcas de sangue deixarei. Crianças que sofrem caladas vivem assim, querendo não viver.

Debruço no vai e vem do balanço do meu corpo, no vem e vai desta infância, as lembranças estão vindo, todas ao mesmo tempo, eu vou e elas também. Um lento suicídio, jeito feliz de morrer, minhas pernas entrelaçadas por prazer.

O cabelo está bem preso com o laço vermelho da vovó, o vestido rendado, a melissa cor de rosa, estou pronta. A inocência passou rápido diante de mim.

Balança balanço a caminho do fim.

O Anel Mágico

Linda saiu cedo de casa para ir à feira, escolheu as melhores frutas e os legumes mais frescos. Quando está retornando para casa, acha na esquina da rua, no chão, um anel. Ele era largo e amarelo... Olhou para um lado e para o outro, no intuito de ver o dono e nada... Colocou-o no bolso.

Linda chega em casa arruma suas compras e depois senta no sofá para descansar suas pernas vinte minutos e neste momento lembrou da jóia que achara na rua. Segura com carinho o anel nas mãos, apreciando sua beleza e observa que parte interna do anel tem algo escrito “Faça o pedido de um sonho com cuidado, se não, nunca voltará”.

Linda ficou animada, resolveu chamar suas amigas para mostrar a jóia mágica, linda sentiu-se o verdadeiro Aladim e resolveu dividir esta alegria.

Depois de ter ligado para cada uma das amigas, foi imediatamente preparar o chá e os biscoitos para o encontro.

Linda é viúva e mora em um apartamento pequeno e tudo o que tem são estas amigas e a lembrança de um amor antigo em sua cabeça.

Cinco da tarde, as amigas chegam e Linda mostra sua jóia valiosa e então Carmem, a mais atrevida diz:

- Sou a mais velha, serei a primeira.

E esta desejou... E num passe de mágica Carmem estava em Paris, passeando perto da Torre Eiffel com seu novo namorado e o anel caído no chão do apartamento de Linda...

Agora é a vez de Lurdinha, esta desejou e num passe de mágica estava no interior da cidade com sua avó, ela sempre desejou cuidar de sua vozinha.

Denise não perdeu tempo e disse:

- Agora sou eu!

Desejou e também desapareceu da casa de Linda, foi parar em Miami Beach com seu noivo, os dois bebiam água de coco e aproveitavam o sol na “Terra estranha”, esta desejou bem.

Agora é a vez de Leila, ela estava meio em dúvida no que ia desejar e pediu um sonho do seu tempo aventureiro... E lá estava com um grupo de amigos nas geleiras, escalando na neve... Isto ela desejava desde menina.

Linda e Sara restaram, terminaram o chá e comeram os biscoitos, Linda perguntou á amiga:

- Você não tem medo Sara?

Sara respondeu:

- Claro que não amiga, imagina se vou perder a chance de realizar um sonho.

- Vamos lá Linda e não esqueça de fazer o pedido direito se não, nunca voltará.

Sara segurou o anel e num passe também de mágica estava no Hawaii dançando Ula-Ula com seu vizinho bonitão Rodolfo.

E por fim Linda pegou o anel caído no chão e segurou firmemente em suas mãos e fez o pedido.

Linda desejou estar ao lado de Fred, o verdadeiro amor de sua vida, seu namorado de juventude, desejou encostar-se em seu peito novamente...

E Linda acordou.

Estava com falta de ar, estava em um lugar escuro e úmido, o cheiro não era bom, não sabia que lugar era...

Linda estava abaixo de sete palmos da terra, dentro de um caixão e ao seu lado o corpo de Fred, que tinha morrido dois meses atrás...

Linda tentava sair desesperadamente e gritava:

- Socorro! Socorro!

- Tire-me daqui!

Contos que conto por Sulla Mino...O Paraíso de Eny

O cenário que falo é de uma casa, feito casinha de bonecas, seu telhado alaranjado, as portas e janelas num tom fraco de azul, no chão da varanda quadradinhos de cerâmicas, a escada da frente num tom cinza e mais forte a cor de cinza no corrimão.

A árvore da frente com flores perfumadas e amarelas, muitos galhos e folhas soltas pelo chão, tudo no compasso, acompanhando o vento brando e gostoso da manhã.

O riacho no transparente e límpido de sua água, seus peixinhos coloridos nadando de um lado para o outro.

A pequena ponte fazia o trajeto deste jardim até o outro lado, próximo as bananeiras e as flores arroxeadas; a cor da ponte vermelha, deixando este cenário ainda mais belo.

Umas pedras ao lado do riacho, eram como bancos e todos os dias, nos fins de tardes, Eny sentava e ficava a pensar, a desejar um outro lugar fora deste paraíso.

Eny é uma jovem moça, bela, seu cabelo como o amarelo do sol, usava uma trança comprida, caminhava por ali, sempre descalça e suas mãos eram sujas de terra, ela plantava todos os dias e cultivava cuidadosamente tudo de bonito de havia ali.

É uma jovem solitária... Desde o seu levantar ao deitar, desde o café da manhã ao jantar.

Todas as tardes ela está junto estas pedras no riacho, ouvindo ao longe, vozes, ruídos, pequenos barulhos que não consegue distinguir. Eram vozes de crianças, diálogos de adultos, passos, correria, Eny não via nada, nem ninguém...

- Crianças não mexam aí!

Esta frase gritava em seu ouvido.

Eny se sentia olhada e desejada, parecia que alguém acariciava seu cabelo, sentia também um beijo em seu rosto.

E longe, muito longe, uma voz se despedia...

- Até amanhã Eny...

E Eny voltava pra casa, confusa e carente...

Nunca entendera o porquê daquele lugar tão bonito só pra ela.

Tentou muitas vezes ir além daquele cenário, na trilha atrás da casa, na rua de barro do outro lado da cerca, em vão...

Estava presa num mundo florido e perfumado e sua solidão a companhia constante e cruel.

Será que alguém um dia irá socorrê-la?

Eny não lembra como chegou neste fechado e estranho lugar.

Todos os dias iguais e quando a noite chega, um clarão reflete na água do riacho, como uma espécie de lua e a sombra da jovem repousa neste belo alvorecer.

Enquanto isto, Jack, um moço robusto e atraente, com seu uniforme aberto na parte da frente mostrando o peito, boné virado para trás, um balde na mão e uma vassoura na outra, entra assoviando na “Sala de Artes” do “Museu Ludy”, limpa a poeira, ajeita o refletor para o quadro principal da sala, acaricia o cabelo da jovem sentada próxima ao riacho, desejando em pensamento estar ao lado da bela jovem naquele quadro, entrega-lhe um beijo no rosto e diz:

- “Até amanhã Eny”.

“O Paraíso de Eny”, a tela mais visitada do museu.

By Sulla Mino: Pedra de Santo Antônio



Fagundes é um município brasileiro do estado da Paraíba, localizado na microrregião de Campina Grande, mais ou menos 26 km. Cidade localizada na Serra do Bodopitá, no agreste paraibano, foi inicialmente povoada pelos índios Cariris. No século XIX, foi palco de dois movimentos populares da Paraíba e do nordeste, foi onde ocorreu o inicio da "Revolta do Quebra-Quilos" e o "Ronco da Abelha". De acordo com o IBGE é estimada em 11.830 habitantes. Área territorial de 162 km². Seu principal ponto turístico é a Pedra de Santo Antônio, a pedra recebe milhares de turistas e romeiros durante o ano todo, principalmente no mês de junho, o Nome dado devido a uma lenda local. Esta conta que dois escravos acharam em um matacão granítico nas proximidades do município uma estátua de São Antônio, o achado foi comunicado a pároco da então Vila de Fagundes que pediu para levar a imagem para a igreja. Um tempo depois a imagem sumiu da paróquia e novamente foi encontrada no matacão, e isso se repetiu por mais duas vezes, o que se caracterizou um milagre. A partir dai a matacão ganhou o nome de Pedra de Santo Antônio e passou a ser local de peregrinação, após uma caminhada de 1 Km até a pedra, fazem a já tradicional passagem por uma fenda de aproximadamente 40 cm a fim de obter de cura de doenças, casamentos e outras graças do santo. A festa do Santo é uma excelente pedida para quem vêem a Paraíba no período de Junho, reúne a manifestação religioso-cultural típica do Nordeste e um visual do Planalto da Borborema. Por fim na volta, pode-se curtir um forró pé-de-serra na localidade de Galante. Em outras épocas do ano o lugar é frequentado por grupos de jovens que sobem a serra para beber e tocar violão sob a luz da Lua, um verdadeiro lual. Fernando de Bulhões (verdadeiro nome do Santo), nasceu em Lisboa em 15 de agosto de 1195, numa família de posses. Aos 15 anos entrou para um convento agostiniano. Indicado professor de teologia pelo próprio são Francisco de Assis, lecionou nas universidades de Bolonha, Toulouse, Montpellier, Puy-en-Velay e Pádua. Em todos lugares suas prédicas encontravam forte eco popular, pois lhe eram atribuídos feitos prodigiosos, o que contribuía para sua fama de santidade. A saúde sempre precária levou-o a recolher-se ao convento de Arcella, perto de Pádua, onde escreveu uma série de sermões para domingos e dias santificados, Após uma crise de hidropisia Antônio morreu a caminho de Pádua em 13 de junho de 1231. Sua veneração é muito difundida nos países latinos, principalmente em Portugal e no Brasil. Padroeiro dos pobres, e casamenteiro é invocado também para o encontro de objetos perdidos. Não pude ficar de fora desta história, deste belo passeio e fui de encontro ao tal matacão, não é nada parecido com os Matacões em Karlu Karlu, na Austrália. A gente não quer saber muito da beleza da rocha e sim do poder que ela tem, do que a lenda significa, eu tive de conferir a magnífica fenda, ainda bem que consegui e foi fantástica minha travessia, acho que desta vez eu caso. Se não for esta minha sina, pelo menos me garantir a não ter doença no coração ou no mínimo gostaria de poder achar meus trecos, já que o Santo é invocado também para o encontro de objetos perdidos. “... Temes que eu não faça outro tanto por ti? Não penses nisso porque prezo muitas as prerrogativas concedidas por Deus de ser – o santo dos milagres. Muitos outros, como tu, têm precisado de mim e temem pedir-me, pensando que me importunam, hei de obter as graças; não temas...”. A minha fobia não atrapalhou, valeu conferir, rastejar-me debaixo daquela grande rocha e contemplar aquela paisagem mirabolante, foi incrível. Fazendo a caminhada de descida Cmte Pimentel disse que podemos começar a nos preparar para o casório daqui um pouco mais, bom... Santo Antônio tarda, mais não falha!

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