Ciúmes
Alguns souberam tratá-lo com maestria e produziram
obras primas, como exemplo clássico de Otelo, de William Shakespeare, Dom Casmurro,
Machado de Assis e tantos outros. Procurar ajuda é essencial, livros,
simpatias, psicólogos...Eis uma bela frase de Ultraje a Rigor “Ser mais seguro
e não ser tão impulsivo”.
Ela & Eu
É ela que me torna
menina, tão travessa e muitas vezes imensamente cruel. E ela me revela como as
flores amarelas que caem no outono e nas noites frias parece me beijar a nuca.
E mesmo sendo sufocante em muitos dias quentes do verão, ela me torna meiga e me
torna incrivelmente branda e maléfica em tempestades passageiras.
E mesmo ela
sendo tão boa comigo, sinto que a prendo em meu calabouço de mentiras, meu
delicioso calabouço e suas paredes úmidas, dando-lhe um tom mais grotesco e pavoroso.
E meu desejo é tê-la em minha mente eternamente, tê-la por dentro de mim, me
consumindo e me fazendo lembrar do amor.
Ah amor! Perdoe se eu te esqueço, se
eu te tenho tão perdido dentro de mim, estou desorganizada e atraída por um
outro lado, um caminho que seu que não me pertence. Sou tola bem sei, como se
tivesse morrendo algo dentro de mim, feito algas que se agarram nas rochas da
praia. E aos poucos sei que consigo me entender, me achar ou me perder de algum
modo, de algum jeito torto. E mesmo torta nesta solidão que me aflige, esta
solidão desmedida e ordinária, sou feliz. Feliz! Porque meu coração é
acorrentado por ela, vagarosamente pulsa meu pulso cansado... E ouço um
chocalho sinistro em minhas madrugadas frias.
E continuo sendo uma menina doce,
mesmo com este nó que me dói a garganta. Porque Ela é meu poço raso, meu
trilhar mais curto e minha cachaça mais pura. Ela estranhamente me embala em
seus braços cintilados e me nina com suas canções de letras em outro linguajar.
E ela nasce todas as manhãs junto comigo, me acalentando... Ela tão obscena e
eu tão virgem.
Virgem feito papel que rabisco todos os dias. Ela é meu mundo, e
giramos freneticamente por aí, redescobrindo coloridos diversos mundo afora.
Mesmo sangrando, mesmo chorando, mesmo nos escondendo da morte, mesmo tentando
voar sem asas e falar sem língua. Somos o que somos e nada muda isto. Ela está
em mim, e sinto que aos poucos sou mais Ela que eu mesma.
Ela me mostra o que
realmente é o amor, e assim consigo dormir, pouco tempo... E tento sorrir pra
guerra que estoura lá fora. E é cortante as farpas que circulam no paraíso.
Bebo insônia e canto versos de amor... Ela me ensina amar e amando vou me
tornando cada vez mais Ela.
Ela, a POESIA que me domina.
Contos que conto --> Minha Melancolia
Minha melancolia é igual a uma criança que brinca no balanço do quintal. É feito folhas que aguardam lentamente o outono chegar ou até mesmo o gosto diferente de queijo com goiabada que fica na boca. É feita de restos de brigas, soco bem dado na parede, pele e osso e até teias que se alastram no canto da sala.
Mais posso ser também como a brisa que invade as manhãs. Ferro, fogo, ferida fechada. Esta melancolia é feito aquele sonho que te faz sorrir quando levanta da cama, galope de um cavalo branco e o bater de asas de uma borboleta azul.
Eu não seria ninguém. Ou seria alguém? Hoje sei que sinto, que vivo e respiro...Algo tão intimamente feroz! Porque sei que sou outra, do avesso e corretamente única. Esta insônia acordada dentro de mim, tão cheia aqui, me transbordando, espero um dia não obedecê-la, não sorrir para ela noites adentro. Mesmo querendo ser outra, sentir outras coisas, ainda tenho medo e acordo em seus braços nas manhãs frias do meu quarto.
Seu colo é meu único conforto, lamentavelmente eficaz.
E mesmo com minha voz melosa, este medo se exalta e me faz prisioneira, flor sem pétalas, chão sem asfalto, criança sem mãe. E nem mesmo minha alegria se manifesta, ou faz uma festa ao ambiente tosco do meu lar.
E fico tola, olhando para o céu das minhas noites finitas, procurando um pouco do véu estrelado que me cobre, um pouco da morte que me sorri, bela e mansa. Mesmo assim sou mais feliz nesta procura de ser feliz do que me saborear nos meus pulsos fracos...Sou muito mais Eu com esta melancolia e mesmo me entorpecendo neste desamor insuportável, ainda assim sou eu aqui, esculpida nesta agonia linda e meramente doce.
Estou coberta de demônios fracos e hostis, cantarolando blá blá blás em minha cabeça noite e dia, dia-a-dia. Constantemente. Um tipo de música que dói na alma. E com isto meus passarinhos voam todos, correm num bater de asas acelerados e frenéticos.
Fico só novamente. Sem meus pássaros, canção, insônia...Insônia...Insônia. Minha melancolia decerto é louca, com um tanto de bom humor e uma pitada, bem pouca, de pavor.
Alucinada fico, alucinada estou. E meu próprio ar me sufoca lentamente e toda hora morro devagar, sufocando em minhas próprias agonias, adormecendo nos meus próprios pesadelos.
E minha vontade de gritar por ajuda, poder sair deste mundo aqui, é farta.
E mesmo com minha alegria ressentida e este sono, um sono infinito e mal, mesmo com esta solidão sofrida, deste amargo na língua, procuro nos bolsos pedaços do meu coração.
Catando-me perdidamente para não deixar minha melancolia se tornar mais forte do que eu.
Meu lado Samanta
Me refiz esta manhã.
Acordei bela por ter matado Samanta. Ela morreu em meu pensamento, e muito por dentro
de mim e pude com isto acordar inteira. Acordei por ter sonhado, e acordada
queria dormir novamente e esquecer que Samanta um dia existiu em mim. Era minha
gêmea. Uma parte estragada e funesta que existia no mais íntimo do meu ser, na
minha parte mais inteira, meu âmago. E mesmo sendo tão estranha, nunca fui
louca.
Mesmo com conflitos a outrem. De muitas formas e jeitos. E a cegueira em
mim me envolveu neste arranjo sentimental, me fez ter um queixume sincero e sem
fim. Resolvi me embrenhar de vez em quando. E quando o sono ataca tão atroz,
volto pra casa. E assim Samanta me consumia e me apresentava à muitas ideias
durante meu sono. Me mortificava em meio as minhas tentativas de sonhar um
sonho brando e tranquilo, sem me sentir tão cansada ao acordar.......Sei que eu
estava numa demência repentina pela manhã e um surto invejável não seria ruim.
E eu queria assim todos os dias, não ser tão demente, e não aguentei quando
Samanta me atordoou numa manhã fria. Agora ela está lá desmaiada, e lindamente
silenciosa. Sem pulso. Sem dor. Sem enigmas traiçoeiros. Agora ela está morta e
realmente não sei o que será de mim assim, tão perdida. Mais me refiz, e já me
sinto uma estátua no jardim. Uma estátua de olhos serenos e roupas leves. Mais
serei sempre triste por ter este demônio dentro de mim. Ele me faz cócegas e
sorrindo feito louca vou por aí matando monstros.
E o meu era de mãos macias e
de palavras doces. E usava uma flauta amarela, e derramava em mim encantos
suaves, eu saía por aí feito zumbi perdida e devorava alguém. Devorava vivos
também? E hoje cedo foi Samanta. Esta sombra que me acalentava e que muitas
vezes, me atava no quarto. Ela era a parte mais importante de mim.
Era meu lado
majestoso e cativante. Todas as noites sinto saudade dela, do gosto afável da
sua companhia. Olho embaixo da cama e profundamente sinto a dor de estar só
novamente e não consigo dormir. E quando durmo com meus cacos purpurinados...
Acordo arrependida. Por ter jogado fora a mais linda flor. Por ter amargado o
mel das minhas insônias. Samanta se foi e eu agora fico louca...Louca na
escuridão de mim.
Saudade
Sinto como um sopro forte
na nuca. É uma saudade infinita, e sinto tão aflita e cortante aqui dentro de
mim. Feito um sopro tão forte e atordoante. Sinto! E este sentir eterno dói,
dói-me na alma. Sinto esta dor sinistra por dentro. Talha-me e retalha.
É a
saudade tão danada em mim. Do amor em que estou não gozo a poesia, isto me
aflita! Fico a supor muito mais que este amor, e seria ele tão verdadeiro
assim? E o que será da donzela tão bela que habita em mim? Viver sem rascunhos,
sem eiras e versos... Sinto esta sensação absurda no meu peito, que me aperta e
que retém meus sorrisos tolos do mês. Pobre estou sem letras tortas e
palavreado miúdo. Agonia constante de mim, em mim... E o que sinto assim me faz
bem? Pior seria nada sentir? Estou fardada
desta agonia mimada em querer não sentir tantas coisas assim. Mais a saudade
fala mais alto, feito grito agudo ao pé do ouvido.
Ó outrora não desejei tanto
assim. Ó Deusa das minhas aflições... Tira-me deste calabouço de ideias
perdidas, tira-me um pouco destas tentações nas entranhas. Ai de mim sem
orações! Ai de mim sem amém. Ai que estou em fadigas muitas. A saudade que mais
aperta aqui, em algum lugar aqui dentro eu ainda não detalhei. Será dos palcos
mundanos, ou apenas de cidade de onde vim? Seria esta saudade louca da roupa
que perdi, ou do calçado que furou?
A saudade que incomoda seria da estrela que
nunca mais vi, ou do relógio que se quebrou... O café também tem minha saudade
na boca, daquele beijo que me foi roubado na juventude, do sonho recheado de
chocolate, sinto saudade também. E lembrar do samba no pé e do sol fraco em dia
de domingo me deixa em saudade tranquila, feito um balançar lento dos girassóis
na varanda. E como já dizia Vinícius ¨Chega de saudade. A realidade é que sem
ela, não há paz não há beleza, é só tristeza e a melancolia. Que não sai de mim.
Não sai de mim. Não sai¨.
E no meio das minhas tantas lembranças e belezas,
esta saudade me faz assim tão bem. Esta melancolia tão boba, mesmo assim me
conquista dias e noites. Sou dela e ela está desde sempre em mim. Serei feliz
com ela até meu fim? Ó saudade que me acorrenta em tuas delícias, e me afaga em
teus flashes malditos. Não sai de mim. É
apenas uma imensa saudade que sinto de um amor , partindo...
EU interior...
Quando li o livro O
Evangelho Segundo o Espiritismo de Allan Kardec, comecei a entender muitas
coisas acontecidas em minha vida.
"Os homens semeiam na terra o que
colherão na vida espiritual: os frutos da sua coragem ou da sua fraqueza".
Esta frase me fortaleceu de uma maneira incrível, ter coragem, mais coragem era
o segredo para me manter em pé. Serei perdoada se eu conseguir me superar,
fazer o bem, a caridade e ter sentimentos puros no coração, ao invés de mágoas
e ira. Nada é por acaso ou coincidência, as coisas vão acontecendo conforme
vamos plantando e eu desejo tanto ter uma boa colheita que comecei a perdoar a
mim mesma e depois as outras pessoas, as coisas que estavam ocorrendo em minha
vida. Aprendi a agradecer ao invés de pedir, Deus tem uma lista enorme, sem
necessidade, Ele já nos dá mais do que realmente merecemos e com certeza o que
carregamos não é mais pesado do que a cruz que Jesus carregou um trecho na sua
história.
O espiritismo soa em mim como verdadeiros versos! Frequentei muitos
lugares no intuito de me encontrar com o Criador, me aborreci, me confundi.
Levei um tempo para acreditar, mas Deus sempre esteve ao meu lado, eu que não
acreditava nisto. O texto “Pegadas na Areia” conforta momentos de dúvidas.
" Senhor, Tu disseste que, uma vez que eu resolvi seguir-te, Tu andarias
sempre comigo. Durante a minha caminhada , notei que nos momentos mais difíceis
da minha vida havia apenas um par de pegadas na areia. Não compreendo porque
nas horas que mais necessitava de Ti, Tu
me deixastes.
O Senhor respondeu me: - Meu Irmão. Eu Amo-te e jamais te
deixaria nas horas da tua prova e do teu sofrimento. Quando vistes na areia,
apenas um par de pegadas, foi exatamente aí que EU, te carreguei nos
braços..." Teve momentos que eu quis desistir, queria me entregar, morrer
logo de uma vez e acabar com todo o meu sofrimento, se eu tivesse conseguido ia
ser pior pra mim mesma. Acredito que voltarei, acredito que já vim muitas vezes
e farei quantas viagens forem necessárias para alcançar algum êxito, quero um
dia poder espiritualmente me elevar. Será que realmente eu tenha escolhido tudo
isto? De toda esta maneira cruel? O tempo se encarregará de me responder muitas
perguntas, até lá estou tentando ser eu apenas. Realmente não é fácil crescer por
dentro.
É uma busca constante do nosso EU interior, dos nossos íntimos
sentimentos, desejos aflitos... E o melhor mesmo nesta vida, é ser maior,
pequena já não poderei ser... É trilhar nosso próprio caminho, com pegadas
firmes e pés descansados. “É ser mais que uma simples razão”.
Cha Cha Cha
Considera-se
que este estilo de dança teve inicio em Havanna-Cuba, em 1951
, tornando-se
uma mistura de ritmos Africano com a guitarra espanhola chamado
“mambo-rumba”. Foi criado a partir do barulho que os dançarinos
faziam nas pistas de dança. Cha-cha-cha
é
o nome de uma dança latino-americana riginária do México,12
construída
sobre a música de mesmo nome. É considerada uma variação do
mambo.
Na
dança de salão é popularmente chamado por cha-cha
.
Com
origens cubanas, o Chá-Chá-Chá pode muito bem ter sido a primeira
dança pop de que há memória, devido ao seu carácter divertido,
alegre e muito dinâmico. Relativamente fácil de aprender, o
Chá-Chá-Chá pode ser dançado por qualquer pessoa, não exigindo
obrigatoriamente um homem e uma mulher, como muitas outras danças.
Existem
três tipos de Chá-Chá-Chá: o cubano e a dança original, é
marcada por um ritmo mais lento e sensual, mas por vezes complexo; o
Internacional, que integra as competições de danças de salão,
sendo mais energético e contínuo; e ainda o Country/Western ou o
Latin Street que, adoptando ritmos mais rápidos e soltos, é também
mais inovador.
normalmente
latina, latina-rock ou pop-latina – ganhou vida própria ao servir
de inspiração para muitas estrelas musicais do passado e presente,
ecoando hoje nos tops
da
música latino-americana onde constam nomes como Ricky Martin
.
Um
atento: Na cultura da dança de salão, em um evento social de dança,
não se deve recusar um convite de alguém para dançar, e nem ter
ciúmes se alguém chamar o parceiro para dançar. Dentro dessa
cultura, é considerado um ato de educação um homem circular pelo
salão e dançar com todo mundo. Extremamente contagiante e
bem-disposta, o ritmo de forte percussão que domina o Chá-Chá-Chá
é um convite para saltar para a pista, onde se ouvem instrumentos
como timbales, bongos, congas e o badalo. Música maestro… Toca a
Chá-Chá-Chá.
“...
Ya nadie la mira, Ya nadie Ya nadie la mira, Ya nadie suspira, Ya sus
almohaditas... Nadie las quiere apreciar. Cha cha cha. Cha cha cha.
Es un baile sin igual…” Vamos que vamos!
A Cabana
A Cabana
é um livro escrito pelo canadense William P. Young, lançado
originalmente em 2007, primeiro lugar dos mais vendidos do The New
York Times e desde então já vendeu dois milhões de cópias, foi
publicado em português pela primeira vez em 2008. O livro, que se
tornou um best-seller desde seu primeiro lançamento não foi escrito
para ser publicado, conta o autor.
A
história havia sido criada como um presente que Young imprimiu para
15 amigos no natal de 2005. Young afirma que muito da história tem a
ver com sua própria experiência de vida e que escreveu o livro em
uma ocasião que "ele próprio precisava de consolo". "A
Cabana" invoca a pergunta: "Se Deus é tão poderoso e tão
cheio de amor, por que não faz nada para amenizar a dor e o
sofrimento do mundo?" As respostas encontradas por Mack
surpreenderão você, tanto quanto ele.
Vivemos
em um mundo cruel, temos marcas e tristezas de “coisas” que nos
aconteceram no passado, este livro governa nossa leitura como uma
oração e pode mudar nossa vida, como mudou completamente a de Mack.
“Quem
não duvidaria ao ouvir um homem afirmar que passou um fim de semana
com Deus e, ainda mais, em uma cabana?”. Durante uma viagem de fim
de semana, a filha mais nova de Mack é raptada e evidências de que
ela foi brutalmente assassinada são encontradas numa cabana
abandonada.
Após
quatro anos vivendo numa tristeza profunda causada pela culpa e pela
saudade da menina, Mack recebe um estranho bilhete, aparentemente
escrito por Deus, convidando-o para voltar à cabana onde aconteceu a
tragédia.
Apesar
de desconfiado, ele vai ao local do crime numa tarde de inverno e
adentra passo a passo no cenário de seu mais terrível pesadelo. Mas
o que ele encontra lá muda o seu destino para sempre. Até hoje
me pergunto o que eu faria se recebesse um bilhete de Deus para um
encontro, acharia primeiro não ser verdade, Deus não mandaria um
simples bilhete... Como eu me comportaria diante de Deus, Jesus e o
Espírito Santo? E você caro leitor, como reagiria?
“Se formos
como pássaro, cuja natureza é voar, mas se optássemos somente por
andarmos e permanecermos no chão. Não deixamos de ser pássaro, mas
isso altera significantemente nossa existência de vida”. Vida,
morte, fé. “Este livro é sensivelmente transformador”
Sulla Mino,
Filho da Lua
Ela
estava lá, bem distante de casa, sentada embaixo daquela grande
árvore sinistra, o seu pulso pedindo um basta, um final, com o olhar
triste e cabisbaixo, uma tamanha solidão em meio aos devaneios
sofridos, sua visagem como a melhor companhia naquele instante.
A dor não
doía tanto e nunca conseguira entender a sensação tão intensa
nestes anos todos, a lástima de uma paixão avassaladora que corrói
na veia sem nunca ter amado, que desgasta os sorrisos poucos e falsos
ao mundo, a puberdade chegara e as dúvidas eram muitas, sensações
intermináveis, como o começo de um parto natural. Não, ela não é
uma jovem tristonha e carente de amor, as lamúrias são canções
que ela mesma criou no seu obscuro prazer. A grande árvore já não
tem folhas nem flores, somente galhos secos e fracos.
A belatriz
aguarda a noite cair no seu corpo pálido e virgem, o soprar do vento
forte do cair da tarde, o sereno misterioso, o frio manso e calmoso.
É assim que ela aguarda a chegada da lua no céu escuro, hoje ela
será cheia e brilhante. É assim mesmo que ela renasce, a moça
ganha mais poder para continuar aqui, neste globo que chamam de
Terra, este imenso espelho, seu pavor. A noite chega feito um cavalo,
calopando no seu passo ordinário em direção daquela árvore seca e
velha. E o ato de ligação sucumbe e não há como ceder aos
esforços, morrer é necessário.
Esta volúpia extrema, apenas uma
noite do ano se faz necessária assim, sem dor, copular ao sangue de
uma besta humana. A noite penumbral rouba um pouco de vida e ali
mesmo naquele campo que divide o tempo e o medo, nasce mais um órfão
de pai, fora cuspido do espelho pela lua maldita, os lobos uivam
celebrando... Miriam agora é apenas um zumbi, filha do demônio
plantado na grande árvore e do seu ventre saíra o filho da lua.
Ela
já não é mais uma simples virgem, seu pecado agora está latente e
a morte se encontrará com ela novamente próximo ano. O dia
amanhece, a árvore seca e velha continua erguida sob a luz do sol
delicado. O menino chora, o cesto fora colocado no limiar da casa da
velha, a anciã do vilarejo macabro, a morte caduca.
Homens que Dançam
Quem
disse que homem não dança?! “É ruim da cabeça ou doente do pé”.
Quem disse que homem só pode Muay Thai, se engana profundamente.
Homem pode dançar, e duvido quem nunca tentou pelo menos uns
passinhos de Elvis Presley nas festinhas do colégio?!
A
dança nasceu associada às práticas mágicas do homem, com o
desenvolvimento da civilização. O homem dançava pela
sobrevivência, dançava para a natureza em busca de mais alimentos,
água e também em forma de agradecimento. A dança era quase um
instinto e esses acontecimentos eram registrados nas paredes de
cavernas em forma de desenhos. Homens
dançam, por que não?! Desde tempos remotos o homem dança.
O
número de homens que buscam por aulas de dança cresceu e as
mulheres agradecem. Segundo elas, eles ficam mais atraentes, a
paquera é melhor... A dança embala o homem, muda o humor, se tornam
charmosos, verdadeiros galãs, como os de Hollywood! Além de mudar
o convívio com as pessoas, eleva a autoestima. O homem que dança já
é um diferencial. Dançar é bom e faz bem.
Arrisque um passo para cá e outro para lá...Assim vai sentir que
pode ir mais além, um pouco mais em sua vida. A grande maioria dos
homens tem vergonha em dançar... Nós mulheres, nos perguntamos o
por quê disto. Vergonha faz parte de todos nós, é o início,
quando se deixa abrir para novas oportunidades, as coisas tem uma
grandeza incrível, você irá notar rapidamente as mudanças de
dentro para fora e não vai mais querer parar, e incrivelmente nos
tornamos melhores, capazes e apaixonados pela vida. Quando o homem
perceber que dançar é um transporte para um tempo diferente, não
vai querer parar e não entenderá porque tanto tempo deixou passar.
Segundo o Professor de dança Diogo Couto, “homens que dançam,
passam de um simples provedor para um de qualidade, onde aprende a
conhecer o corpo e alma de uma mulher, podendo transformar uma simples
dança em um divisor de águas do ser, do sentir e do realizar”.
Traquejo é o que faz parte dos homens. Numa balada, por exemplo, um
homem não precisa de bebida para tomar coragem e chegar em uma
mulher, basta chamá-la para dançar que tudo se encaixa
perfeitamente. Todos
os povos, em todas as épocas e lugares dançaram.
Dançaram para
expressar revolta ou amor, reverenciar ou afastar deuses, mostrar
força ou arrependimento, rezar, conquistar, distrair, enfim, viver.”
Você se torna um homem de
atitude! Não
precisam ser um Fred Astaire na
pista, basta se sentir livre. Um homem que dança nunca está só,
se torna livre para o mundo lá fora e também nos braços
acalentados de uma mulher. “Dançar
é uma necessidade interior, muito mais próxima do campo espiritual
que do físico, foi o que motivou o homem a dançar utilizando-se do
movimento como um veículo para a liberação de sua vida interior”.
“
Dançar provavelmente não é seu objetivo ao ir a uma festa, mas
aprender a dançar bem é uma excelente arma de sedução”.
“Mas não precisa ser forte ou algo assim. Pode ser baixinho,
gordinho e com pouco talento em artes marciais. Mas precisa passar
segurança ao entrelaçar os dedos nas nossas mãos, como se ali
gritasse que tudo vai dar certo”
A Dança e Eu
Falar algo de mim?! De algum episódio que marcou na
minha vida ou simplesmente o que há de tão simples dentro de mim...
Minhas vastas palavras são geradas em torno de outras pessoas, de
sonhos repentinos na madrugada, sobre um assunto prolongado numa
conversa na lanchonete, ou ideias que vem repetidas em minha mente.
Oh! Somos o que somos ou apenas o que nos tornamos ao longo do tempo,
dos meros instantes. Somos movidos e moldados em momentos únicos e
eles se tornam lembranças, estas nós guardamos no baú das nossas
delícias. O meu baú está trancado, com todas as incertezas e
medos, rascunhos coloridos e muitas palavras de amor. Embora eu não
saiba muito sobre o amor, mais eu o sinto constantemente.
Procuramos
um equilíbrio mental nesta vida, e após uma breve tempestade,
ficamos a deriva... Uns priorizam uma viagem fora do país, outros se
equilibram em doses de tequila e tem os que pintam quadros...Eu
procurei dançar. Achando que uns passos para cá e para lá iriam
mudar o rumo da minha vida, fortalecer meu lado físico, nutrir-me
mentalmente.
Me enganei. Foi muito mais que isso. Aparecem pessoas em
nossas vidas, de repente nos vemos obrigados a sorrir, a fingir que
está tudo bem, mais quando pisei a primeira vez na sala de dança,
tive de ser verdadeira e meu sorriso saiu sem querer. A sala
iluminada, a música que tocava soava mansa …. E fui adentrando
naquela cena, feito tomada iniciada num set de TV.
Conheci Diogo
Couto, o professor de dança, um grande dançarino, uma pessoa
carinhosamente verdadeira, único. Para ele não importao nosso
status, cor de pele ou religião, ele tem um cuidado extraordinário
com cada um de seus alunos e eu fui contemplada nesta estância, e me
tornei parte desta família. Eu procurada equilíbrio e encontrei
paz. Procurada um instante novo para meu baú e encontrei uma
eternidade de coisas … Infinitas... E descobri que ser livre faz
parte de mim. Somos conduzidos nos passos frenéticos de um lado para
o outro, e se fecharmos os olhos, somos apenas um, indo em busca do
mesmo objetivo.
Assim é um par quando se dança! E agora já não
sou mais ímpar, já não posso mais voltar, tenho de continuar nesta
andança magnífica de bailados e ….
Mãos sobem, ponta dos pés... Panturrilha arde... E o
prazer vem depois de tudo isto sentido, como se formássemos asas
para lançar voo. Eu mudei. Dançar faz sentir a vida e que ela vale
a pena. Me faz querer o dia segunte, e culpo Diogo por isto, sem
estas sensações já não poderei ficar. E o que me sufocava já não
lembro. Sinto que meu barco já não está a deriva, me sinto segura
nele, em terra firme já não poderei atracar, o cais já não me
pertence.
Cada aula que vou, me renovo, colo um caco em mim, e tenho
me sentido inteira e deliciosamente feliz. Algo que marcou pra mim?
Muitas são as coisas que me cercam e que me talham, mais dançar
realmente é minha tatuagem, e nem o tempo há de apagar. Diogo me
acalentou no momento em que eu mais precisava e agora poderei seguir
de uma maneira diferente, uma New Dance.
Porque
“...Me leva onde quero ir...”
RODEIO DE BRAGANÇA PAULISTA 2015
A
história do rodeio no Brasil se iniciou na cidade de Barretos. No
ano de 1955 a pecuária era a maior atividade econômica da cidade,
onde estava instalado, desde 1913, o frigorífico Anglo, ao qual os
“corredores boiadeiros”, como eram conhecidas as vias de
transporte de gado entre os estados, se encontravam e para
descontração e diversão montavam os bois e cavalos, desafiando uns
aos outros suas habilidades.
De um passatempo entre os peões das
comitivas, começou a atrair pessoas interessadas em ver o
“espetáculo”. Em 1947 na quermesse municipal, aconteceu o
primeiro rodeio do país, realizado dentro de um cercado com
arquibancadas, surge assim o que é conhecido o formato de rodeio. A
1ª Festa do Peão realizada no Brasil aconteceu sob uma velha lona
de circo, e não poderia deixar de ser, a principal atração eram os
peões que passavam meses viajando pelo Brasil a fora, agora eram
estes as estrelas da festa. Na década de 60 havia vários eventos
ligados ao rodeio no Brasil, principalmente no estado de São Paulo.
Muitos dos peões que antes tocavam a boiada, agora eram
competidores, participando de rodeios atrás dos prêmios. Bragança
Paulista é um dos municípios do estado de São Paulo, faz parte das
estâncias climáticas chamadas de Circuito das Águas e apresenta
uma população de aproximadamente 158856 habitantes, segundo os
números do IBGE em 2014. E em Abril foi comemorada a 50ª
Expoagro-Festa de Peão de Boiaddeiro em Bragança Paulista-SP. A
festa contou com diversas atrações nacionais como Luan Santana,
Capital Inicial, Cristiano Araujo e Henrique E Juliano, Fernando e
Sorocaba, Jorge e Matheus... Houve rodeios entre 09 e 12 de abril e
no dia 19. Uma mega estrutura foi montada com parque de
diversões, camarotes vip e uma boa variedade gastronômica.
Diversas modalidades, como: Montaria em
touro, laço duplo e tambores.
Tudo dentro das leis de rodeio,
inclusive o uso correto do Sedém. O New Dance marcou presença no
evento. O professor Diogo Couto e seus pupilos caíram na “dança”
nesta magnífica festa. Todos livres para arrastar os pés e colocar
em prática o que foi aprendido nas aulas. A arena era livre, e mesmo
com areia grossa na sola dos sapatos, não foi impedimento para o
bailado valer a pena. A moda Sertanejo, estilo cowntry, vanera ou
marcar firme o arroxa.
Tudo se torna um glamour. O pública tem um
entrosamento gostoso, pedem informações sobre as aulas, os estilos,
e claro todos se tornam amigos da família New Dance. Parabéns
Diogo! Sua arte contagia e os pupilos se tornam livres em passeios
como este, se sentindo em casa, e gratos não só pelas aulas e
companheirismo, mais é um enorme prazer ter seu carinho,
amizade... om cada um... “Segura peão, vamos que vamos”!
Diogo Couto
A mais completa das artes um dia me envolveu. A dança. Ela e eu.
Espírito e carne, movimentos e suor. Ao longo do meu tempo, ela me
influenciou, me tornou o que hoje sou, e sou dela ainda, desde
pequeno. É a minha cultura, meu pequeno mundo, e me delicio vivê-lo.
E me pergunto por que isto é tão especial, pra mim?! Sou de fibra e
garra, verdadeiramente único. Me sinto vivo, E no meu passo a passo,
no descompasso, me realizo, internamente. E vou tocando, abraçando,
vendo, ouvindo, caçando monstros dentro de mim, brincando de viver,
dançando...Dançando...Numa sintonia perfeita, feito casal feliz, no
Bolero, na Salsa, Zoulk...Sou feito de passos marcados, coreografia
abstrata de querer, e quero, quero o refrão da música mais bela,
quero enxergar meu reflexo no espelho...E não ser simplesmente de
histórias bem contadas, ou uma capa de livro bom, quero suar no
ritmo frenético, ou suavemente na Valsa melindrosa da vida. Sou
Diogo, não José.
E fui aquela criança em frente da TV. Que me
encantava com ritmos, com merengues e gingados...Com passos
cimétricos de um lado para o outro, me embalando... Era encantador
aos meus olhos. E hoje, instantaneamente, me delicio, e sei que algo
já me domina, e é algo tão profundo, vindo de dentro mim, feito
amor a primeira vista. E este amor ainda o tenho, inteiramente. E
desajustado sigo, me inspirando em todos os bailados.
Flutuando na
arte em dançar, e com o coração cheio de magia... Serei o mago
verdadeiro da pista iluminada? Desejo voar... E entre holofotes e
andamentos majestosos... Sintonizo-me na música que já soa alto no
salão...Um...Dois…Já sigo bailando, aperfeiçoando somente o que
já havia dentro em mim...
Mulheres
A incrível geração
de mulheres que foi criada para ser tudo o que um homem NÃO quer. Às
vezes me flagro imaginando um homem hipotético que descreva assim a
mulher dos seus sonhos: “Ela tem que trabalhar e estudar muito, ter
uma caixa de e-mails sempre lotada. Os pés devem ter calos e bolhas
porque ela anda muito com sapatos de salto, pra lá e pra cá.
Ela
deve ser independente e fazer o que ela bem entende com o próprio
salário: comprar uma bolsa cara, doar para um projeto social, fazer
uma viagem sozinha pelo leste europeu. Precisa dirigir bem e entender
de imposto de renda. Cozinhar? Não precisa! Tem um certo charme em
errar até no arroz. Não precisa ser sarada, porque não dá tempo
de fazer tudo o que ela faz e malhar. Mas acima de tudo: ela tem que
ser segura de si e não querer depender de mim, nem de ninguém.”
Pois é. Ainda não ouvi esse discurso de nenhum homem. Nem mesmo
parte dele. Vai ver que é por isso que estou solteira aqui, na luta.
O fato é que eu venho pensando nisso. Na incrível dissonância
entre a criação que nós, meninas e jovens mulheres, recebemos e a
expectativa da maioria dos meninos, jovens homens, homens e
velhos homens. O que nossos pais esperam de nós? O que nós
esperamos de nós? E o que eles esperam de nós? Somos a geração
que foi criada para ganhar o mundo. Incentivadas a estudar,
trabalhar, viajar e, acima de tudo, construir a nossa independência.
Os poucos bolos que fiz na vida nunca fizeram os olhos da minha mãe
brilhar como as provas com notas 10. Os dias em que me arrumei de
forma impecável para sair nunca estamparam no rosto do meu pai um
sorriso orgulhoso como o que ele deu quando entrei no mestrado.
Quando resolvi fazer um breve curso de noções de gastronomia meus
pais acharam bacana. Mas quando resolvi fazer um breve curso de
língua e civilização francesa na Sorbonne eles inflaram o peito
como pombos. Não tivemos aula de corte e costura. Não aprendemos a
rechear um lagarto. Não nos chamaram pra trocar fralda de um
priminho.
Não nos explicaram a diferença entre alvejante e água
sanitária. Exatamente como aconteceu com os meninos da nossa
geração. Mas nos ensinaram esportes. Nos fizeram aprender inglês.
Aprender a dirigir. Aprender a construir um bom currículo. A
trabalhar sem medo e a investir nosso dinheiro. Exatamente como
aconteceu com os meninos da nossa geração. Mas, escuta, alguém
lembrou de avisar os tais meninos que nós seríamos assim? Que nós
disputaríamos as vagas de emprego com eles? Que nós iríamos querer
jantar fora, ao invés de preparar o jantar? Que nós iríamos gostar
de cerveja, whisky, futebol e UFC? Que a gente não ia ter saco pra
ficar dando muita satisfação? Que nós seríamos criadas para
encontrar a felicidade na liberdade e o pavor na submissão? Aí, a
gente, com nossa camisa social que amassou no fim do dia, nossa bolsa
pesada, celular apitando os 26 novos e-mails, amigas nos esperando
para jantar, carro sem lavar, 4 reuniões marcadas para amanhã, se
pergunta “que raio de cara vai me querer?”.
“Talvez se eu fosse
mais delicada… Não falasse palavrão. Não tivesse subordinados.
Não dirigisse sozinha à noite sem medo. Talvez se eu aparentasse
fragilidade. Talvez se dissesse que não me importo em lavar cuecas.
Talvez…” Mas não. Essas não somos nós. Nós queremos um
companheiro, lado a lado, de igual pra igual. Muitas de nós sonham
com filhos. Mas não só com eles. Nós queremos fazer um risoto. Mas
vamos querer morrer se ganharmos um liquidificador de aniversário.
Nós queremos contar como foi nosso dia. Mas não vamos admitir que
alguém questione nossa rotina. O fato é: quem foi educado para nos
querer? Quem é seguro o bastante para amar uma mulher que voa? Quem
está disposto a nos fazer querer pousar ao seu lado no fim do dia?
Quem entende que deitar no seu peito é nossa forma de pedir colo? E
que às vezes nós vamos precisar do seu colo e às vezes só vamos
querer companhia pra um vinho? Que somos a geração da parceria e
não da dependência? E não estou aqui, num discurso inflamado,
culpando os homens. Não.
A culpa não é exatamente deles. É da
sociedade como um todo. Da criação equivocada. Da imagem que ainda
é vendida da mulher. Dos pais que criam filhas para o mundo, mas
querem noras que vivam em função da família. No fim das contas a
gente não é nada do que o inconsciente coletivo espera de uma
mulher. E o melhor: nem queremos ser.
Que fique claro, nós não
vamos andar para trás. Então vai ser essa mentalidade que vai ter
que andar para frente. Nós já nos abrimos pra ganhar o mundo. Agora
é o mundo tem que se virar pra ganhar a gente de volta”. Achei
incrivelmente legal e emocionante o texto de Ruth Manus.
Confesso que
me segurei para não cair aos prantos. Me comovo com a “nossa”
história, nós mulheres, que conseguimos conquistas, nesta constante
luta por igualdades e de um lugar ao sol. Não podemos nos exigir
demais, apenas ser realistas e perceber que somos capazes, e que
temos muito a oferecer. Acho que um dia dominaremos o mundo...
E aí
meninas, vamos?
Anjo na Praia
Me envolvi em seus
braços naquela noite. Foram alguns instantes que passei naquele
quarto de hotel. Envolvida e acalentada, uma mistura de carícias e
suor. Não é amor. Não é sentimento. E o que seria então? Esta
vasta vontade de beijos gostosos e abraços fortes... Ainda sinto a
pele morena na minha, ainda sinto aquele momento, tão breve, mais
parecia que tudo passava bem rápido diante de mim, ao meu redor o
mundo não existia, somente ele e eu e aquela voz suave ao ouvido.
Uma voz rouca, pouca, que repetia palavras delicadas e mansas. Me
senti um anjo. E sinto que pairei sobre as nuvens mais brancas no
céu, uma mistura fantasiosa de mim e alguém que me ronda. Me faço
menina, tentando achar estrelas, e sei que ainda nem noite é, mais
no meu céu há tantas coisas juntas, que nem sei explicar...Uma
constelação que me invade, me acanha e me torna tão calma feito um
rio solitário. Sinto trovões por cima de minha cabeça, vultos
sinuosos e primaveris. Estou sã? Porque sei que sou completamente
louca e sinto ainda em meu corpo as marcas de amor deixadas, sinto
como se tivesse levado muitas flechadas do cupido maldito.
Por que
ele me quer? Não quero a certeza de nada e sim as tempestades
venenosas deste prazer. Não sei porque acham que me escondem tantos
segredos, se o segredo sou eu... Não sei porque tapam a noite da
minha face miúda, ou abafam o cheiro bom de jasmim que vem de fora.
É o fervor que me deixa ranzinza e um tanto perigosa. E minhas asas
imagináveis me levam alto, um voar com tantos sonhos dentro de mim,
e giro...Rodopio...Um looping colorido dentro de mim... Mais ainda
estava naquele quarto e era real, feito o dia que se vai e a noite
que chega tão logo, feito o preto e branco, Rapunzel e seu longo
cabelo.
Quatro paredes, champanhe...A cama macia e lençóis
sedosos... A tv fora de sintonia, e um pequeno abajur aceso, um
momento romântico...E apenas tenho comigo desejos juvenis. Amarro o
laço do cabelo e me ajeito para ir embora. Ir dali, voltar para a
triste realidade, para minha sofreguidão interminável. Embora
dolorida por dentro, lá no fundo do peito, vou sem resmungar, e
mesmo que me coce a garganta, doida para cantarolar versos de
felicidade, não me atreveria... Não gostaria de um conflito entre a
raiva e o sorriso no canto da boca.
O nó foi feito com muito esmero
dentro de mim, sou agora apenas um anjo com medo, medo de não poder
ser abraçada novamente, medo de apodrecer e não conseguir morrer de
outra forma. Este hotel que minha mente retém, é apenas o primeiro
degrau estúpido para fugir daqui, este alguém de braços amáveis é
apenas o meu desamor sem importância, um deslize e desdém da minha
dor, da minha alma fatigada e estragada, sem juízo e sem pudor.
Levo
comigo este momento apenas. Talvez uma leve lembrança do letreiro
quebrado e da calçada lavada. Um flash ignorante de um lugar que não
existe mais. E um gosto doce de pêssego na boca. Fim. Meu corpo
jogado na praia... Um beijo apenas era o que eu precisava. Exatamente
como estava no livro que li.
Torname-ei somente uma moça de vestido
vermelho ou anjo perdido na praia...
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